Os dados valem muito dinheiro, e estamos começando a perceber isso.

Entretanto, poucas pessoas realmente entendem o mercado de dados. Isso ocorre porque a maioria dos participantes desse setor é bastante discreta, e é fácil entender por quê. O que é um corretor de dados? Descubra e entenda.

O que é um corretor de dados?

Um corretor de dados é uma empresa que coleta, analisa e revende informações sobre como usamos a Internet. Esses dados são coletados dos sites que visitamos, das redes sociais que usamos e também dos aplicativos gratuitos instalados em nossos telefones.
Os corretores de dados analisam e tematizam todos esses dados e os vendem a empresas e governos de todo o mundo para fins de marketing e influência.
Essa coleta maciça de dados é possível graças aos termos de uso de determinados serviços, que todos aceitam sem nunca ler.

Quem são os corretores de dados?

A Cambridge Analytica é, sem dúvida, a empresa mais conhecida nesse campo desde a polêmica de 2018. No entanto, há muitas outras.
Você provavelmente nunca ouviu falar da Acxiom, CoreLogic e Epsilon. Há um motivo para isso. Elas preferem manter um perfil discreto. Essas são apenas algumas das grandes empresas que ganham dinheiro coletando, agregando e vendendo os dados das pessoas.

Quais dados eles coletam?

Ao coletar os metadados dos usuários de muitas fontes diferentes, os data brokers conseguem criar uma imagem muito precisa da vida das pessoas. Eles podem descobrir sua renda, idade, sexo e endereço. Mas alguns procuram ir ainda mais longe, coletando dados específicos, como localização, comportamento de compras ou características psicológicas.

Ao combinar todas essas informações com seu comportamento on-line, os corretores podem ter uma ideia da evolução do seu relacionamento, do seu estado de saúde, da sua busca por um novo emprego ou da sua intenção de se mudar para outra cidade e, assim, prever parte do seu comportamento futuro como consumidor.

Ao conhecer seus interesses e seu estado de espírito, a segmentação pode ser feita de forma muito eficaz.

Como as informações são coletadas?

Os dados são coletados de várias fontes diferentes. Cookies de terceiros, redes Wi-Fi públicas e raspagem de sites são os mais comumente usados para coletar informações. É por isso que você nunca deve aceitar todos os cookies.

Se você aceitar todos os cookies e tiver seu perfil do Facebook definido como “público”, há uma boa chance de que os corretores tenham um perfil muito preciso de você.

Se quiser saber o valor dos seus dados, o aplicativo móvel Rita permite que você visualize, monitore e ganhe recompensas com seus dados. Em média, 197 empresas têm acesso aos seus dados. O Rita mostra quantas e quem tem acesso.

Como eles os vendem?

Uma maneira é por meio do site Datarade.ai, uma plataforma de agregação de corretores de dados, onde os corretores podem ser vistos promovendo seus conjuntos de dados de clientes.

A óbvia falta de transparência nesse mercado leva a certos problemas éticos. As empresas sabem informações sobre você sem que você saiba. Isso leva a uma forma de exploração dos indivíduos pelas empresas.

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Os regulamentos foram implementados

Embora essas práticas já existam há anos, os órgãos reguladores só começaram a agir recentemente. O GDPR (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados), a CCPA (Lei de Privacidade do Consumidor da Califórnia) e regulamentações equivalentes entraram em ação.

Os órgãos reguladores exigiram maior transparência e aplicação da validação de consentimento e maneiras mais fáceis e transparentes de cancelar o consentimento. No entanto, os procedimentos continuam demorados para os indivíduos. Soluções de serviço para remover suas informações pessoais de bancos de dados on-line estão começando a ser lançadas no mercado. Entre elas, a Incogni.

Em termos absolutos, direcionar e adaptar o conteúdo de acordo com os usuários da Internet não é algo ruim se isso melhorar a experiência do usuário. Além disso, é sempre bom descobrir conteúdo relevante.

No entanto, as transações de dados devem ser transparentes e focadas exclusivamente no usuário. Acreditamos que os usuários devem saber quais dados estão sendo coletados e ter a opção de compartilhá-los ou não. Não se esqueça de que o uso de uma VPN permite mascarar sua atividade on-line, seu endereço IP e seus dados de navegação.

Mateus Sousa da Silva
Mateus Sousa da Silva

Especialista em tecnologia e proteção de dados, com expertise em cibersegurança e jornalismo digital. Apaixonado por direitos digitais e privacidade online, oferece insights relevantes sobre as tendências tecnológicas atuais.